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28 agosto 2010

Um novo livro velho


Nesta última sexta-feira 13 de agosto, na abertura da 21ª Bienal do Livro de São Paulo (onde entrei de graça por ser autor de alguns contos em antologias lá à venda), a conhecida editora Martins Fontes lançou a versão traduzida de “A lenda de Sigurd e Gudrún”, no nosso conhecido J. R. R. Tolkien. O volume possui 440 páginas de qualidade, uma capa com fotos de representações norueguesas em madeira, custo de R$44,00 e tradução por Ronald Kyrmse, que já traduziu outras obras do Professor e fez consultoria para os antigos tradutores, uma vez que é um dos fãs nacionais com maior conhecimento e engajamento.
Antes de entrarmos em maiores detalhes técnicos sobre o livro, é importante sabermos o que ele é. “A lenda de Sigurd e Gudrún” é um poema épico, em versos aliterativos, escrito na década de 1930 e que só viu a luz em 2008. Durante todos esses anos, apenas em uma leitura atenta de algumas cartas e notas biográficas saberíamos da existência de tal peça. Agora, mais uma vez, Christopher Tolkien compila, edita e lança uma obra póstuma de seu pai, provando que o Mestre escreveu mais obras enquanto morto do que vivo.
Dessa vez, contudo, uma parte consideravelmente grande do livro se deve ao próprio Christopher, conforme veremos a seguir. Antes disso, faz-se importante saber duas coisas: a primeira, é que “A lenda de Sigurd e Gudrún” trata de uma versão de Tolkien para a saga da maldição do anel dos Nibelungos. Baseando-se mais nas sagas islandesas e nos “Eddas” (tanto em prosa quanto em verso) do que na “Canção dos Nibelungos” alemã, o poema reconta toda a trajetória do ouro de Andvari, do herói matador de dragões Sigurd e de sua viúva Gudrún.
O outro ponto a se saber para melhor compreensão do livro é que Tolkien nunca escreveu um poema chamado “A lenda de Sigurd e Gusrún”. Ele escreveu, sim, dois poemas chamados “A mais longa balada de Sigurd” e “A nova balada de Gudrún”. O primeiro dividido em uma introdução e nove capítulos e o segundo composto de uma peça única.
Com exceção de uma breve nota do tradutor explicando algumas escolhas da tradução e algumas sugestões de pronúncia, o começo do livro é um prefácio de Christopher explicando a origem do texto em si e as idéias do pai sobre a saga dos Nibelungos. Essa discussão se mantém ainda pela introdução do livro, que contém um longo texto feito das palestras do próprio Tolkien sobre as e os “Eddas”. É aí que sabemos que o autor escolheu versão islandesa da lenda pela qualidade literária superior ao conteúdo histórico da versão alemã.
Também somos lembrados de que Tolkien era um profundo admirador de William Morris (de quem muito se fala em sua biografia e algumas de suas cartas, diga-se passagem). Fica claro, a partir daqui, que a obra de Morris não só influenciou “O Silmarillion” e “O senhor dos anéis”, mas também todo o imaginário folclórico e mitológico que foram responsáveis pela criação da “Lenda de Sigurd e Gudrún”. Inclusive, Tolkien fez uso de uma idéia do próprio Morris utilizada no poema “Sigurd, the volsung”, que trata o herói da narrativa como um escolhido do deus Odin para representá-lo enquanto vivo e para salvá-lo depois de morto.
Depois das longas e interessantes explicações, somos finalmente apresentados ao primeiro poema. Aqui se deve fazer uma nota a tradução: a editora manteve o texto original pareado com o texto traduzido. Isso permite que ao leitor fluente em inglês possa não só comparar as duas versões, como possa, mais ainda, desfrutar puramente das palavras de Tolkien. O curioso é notar que Tolkien, constantemente, fica próximo de versos originais islandeses, muitas vezes reescrevendo-os ou até mesmo repetindo-os.
Já o Kyrmse, supracitado tradutor, deixa bem claro qual foi sua escolha ao traduzir o texto. Sua interpretação do poema foi seguir o mais fielmente possível a métrica e a aliteração dos versos, o que é um tanto quanto incomum em nosso país, mas mostra um trabalho cauteloso e exaustivo. Dentro desse limite, vemos que o que foi perdido, mesmo que minimamente, é o conteúdo por trás da história. Isso compromete algo, no fim das contas? Um pouco, talvez, mas é inegável que o poder dramático de Tolkien se manteve intacto em português.
Para aqueles familiarizados com a saga de Sigurd e com poemas épicos, a compreensão do texto se dá sem dificuldade alguma. Tolkien nos conta a história dos Völsungs e de como o último descendente da família, Sigurd, foi eleito pelos deuses de Asgard. Também somos apresentados ao ouro dos Niflüngs e de como esse foi parar nas mãos do herói após o combate com o dragão Fáfnir. A partir daí, a história segue para o encontro com a Valquíria Brynhild (exaustivamente dissecada em obras mundo afora), para a união com Gudrún dos bolsüngs, até o trágico final.
Tolkien narra habilmente, sem acrescentar muito a lenda e ausentando muitas informações que se mostram irrelevantes, ao final. Mais ainda, o autor preenche de beleza e metáfora cada verso e cada estrofe, dando-nos um trabalho finamente lapidado. Contudo, a época da composição do poema, Tolkien sequer imaginava que se tornaria um ícone mundial. Portanto, “A lenda de Sigurd e Gudrún” não é uma peça feita para narrar uma história, ela é feita para expressar uma opinião e um entendimento sobre uma história previamente conhecida, para um público, preferencialmente acadêmico, já familiarizado com os termos e condições propostas pela saga.
Pensando nisso, Christopher faz uma pausa entre o primeiro e o segundo poema, para dar espaço a comentários que analisam algumas expressões utilizadas por seu pai. Explicando versos e estrofes, com base em anotações tardias de Tolkien, Christopher ajuda o leitor leigo a compreender o que, de fato, está acontecendo ao longo da saga. Mostra-se, nessa tarefa, um verdadeiro escritor e, mais ainda, tão versado em línguas e lendas antigas quanto o pai. Todavia, Christopher cai no erro de tratar a obra tal qual o Professor a tratou: ignora-se que nem todos os leitores têm um pleno entendimento do que seja Asgard ou Valhöll, ou de que saibam quem é Odin ou Loki.
Mais ainda, Christopher parte do pressuposto de que todos os consumidores da “Lenda de Sigurd e Gudrún” sejam fãs prévios da Terra-Média (o que, convenhamos, deve ser verdade). Com isso, ele acaba dedicando, sempre que possível alguma comparação entre o poema épico nórdico e a composição imaginária de Tolkien, o que dá um ar frívolo de caça-níquel e enchimento de lingüiça, falando um idioma bem claro.
O livro prossegue com “A nova balada de Gudrún”, com igual tratamento de tradução e de comentários para a história, menos impactante mais ainda assim forte, da grande heroína Gudrún e sua vingança contra todos aqueles que a fizeram sofrer, inclusive pessoas amadas, o que repercute na política e na história do mundo antigo. É interessante notar que, mesmo tratando-se de um poema diferente, ele mantém o mesmo ritmo e a mesma qualidade da primeira parte do livro, o que dá um sentido de sequência e coerência para a narrativa que não encontramos nas fontes originais, por exemplo.
Acabada “A lenda de Sigurd e Gudrun”, encontramos os Apêndices, tão caros a família Tolkien, aparentemente. O primeiro deles trata de uma explicação de Christopher, citando conferências do pai e outros estudos, sobre a origem de alguns elementos da lenda. Sabemos mais sobre o huno Átila (aqui chamado devidamente de Atli) e sobre quem seriam os Nibelungos.
Em seguida, temos um curto poema de Tolkien cuja métrica segue a rima convencional e trata da criação e destruição do mundo, do ponto de vista da mitologia nórdica. Intimamente ligado com “A lenda de Sigurd e Gudrún”, especialmente com o capítulo de introdução do primeiro poema, esse aqui segue a risca o que encontramos no popular poema eddaico chamado “Völuspá”, inclusive seu título parece derivar daí: “A profecia da sibila”. Aliás, uma nota curiosa é que Tolkien manteve todos os títulos em nórdico antigo, um prato cheio para os admiradores de línguas.
Porém, mais felizes ainda ficarão tais admiradores, ao chegar no terceiro e último apêndice para ler dois poemas de Tolkien sobre Atli escritos em inglês arcaico e gótico, respectivamente. Obviamente, Christopher nos dá a tradução dos mesmos, completando assim toda a produção do pai a cerca da mitologia escandinava e centro-européia.
Ao terminar de ler “A lenda de Sigurd e Gudrún”, ficamos com o saldo positivo de ainda sentir conexão com novos escritos de Tolkien. Mais ainda, podemos nos entreter com uma narrativa que diz muito sobre os outros livros dele que amamos. Contudo, mesmo que haja certo interesse na releitura de um autor sobre um tema conhecido, o livro não despertará interesse naqueles que não sejam fãs do autor, e menos ainda em entusiastas das sagas e dos Eddas que não gostem ou não tenham conhecimento do “Senhor dos anéis” e outras obras. Curiosos por poemas épicos ou poesia em geral, também não tirarão tanto proveito assim da obra, uma vez que não é os versos a composição máxima de Tolkien.
Agora, levando-se em conta que muitas fãs da Terra-Média também são fãs de mitologia nórdica e poemas épicos ingleses, fica aqui a dica de completar sua coleção de livros e aumentar seu conhecimento. O livro valerá cada centavo e cada minuto, inclusive para quem se dedicar a escrever uma resenha tão longa quanto o próprio poema, e profissional a ponto de escolher não ser polemicista para chegar a lugar algum.

19 abril 2010

Coleção de poemas/poesias


Saiu em fevereiro, em Portugal, pela editora WAF (world art friends, um segmento da Editora Corpus, da cidade do Porto) meu primeiro livro. Sim, é um livro só meu, contendo cerca de 40 poesias ou poemas.

O livro se chama "Trova e trovoada", título que tanto dá nome aos últimos versos (que falam sobre fazer amor quando há uma tempestatde do lado de fora) como também remete ao trovadorismo (que influenciou alguns versos) e ao meu fascínio pelo trovão. Fascínio esse que funciona quase como uma identificação pessoal.

Enfim, aproveitando a iniciativa da WAF de promover novos autores dentro de um contexto chamado Ministério da Poesia, fui um dos 50 selecionados entre os mais de 350 autores. Para tanto, contei com versos escritos em dois momentos da minha vida: um foi há 5 anos atrás quando vivenciava um momento de luto e reestruturação (no livro chamado de "Invasão") e outro há 2 anos atrás quando passava por um momento de adaptação à estrutura (no livro chamado de "Instalação)".

Assim, cada uma das poesias ou poemas circula por anotações de aulas de psicologia, recados que enviaria para alguém e entradas no meu diário, dando um caráter biográfico e íntimo para o livro, quase como se me despisse diante do leitor (na verdade, a intenção era justamente o contrário, a idéia era me vestir de símbolos diante de mim mesmo).

A edição do livro foi feita por mim mesmo, cabendo a diagramação do mesmo a própria editora. O livro pode ser encontrado em algumas livrarias de Portugal e pode ser encomendado pela Fnac. Também está disponível para download no site da editora que o publicou.

Um adendo importante é a arte da capa e da contra-capa, feita por Pedro Brondi, com quem trabalhei no gibi "Pork à procura de si mesmo", no site Pork Comics e, em breve, em muitos outros projetos lgiados a quadrinhos e livros ilsutrados.

11 novembro 2009

Breve, novo site no ar



É com orgulho que anuncio que em breve um novo blog meu estará operando. Um blog voltado só para divulgação de minhas obras literárias. Até lá, é com uma honra maior ainda que anuncio um no site no ar: Pork Comics.

Se você clicar no link http://www.porkcomics.com.br/ você verá um logotipo (muito pesquisado pelos autores e melhor ainda realziado pelo ilustrador) e lembretes de papel anunciando aos autores e aos leitores o que ainda falta ser feito.

E o que é Pork Comics? É um site destinado a divulgar o personagem Pork (atualmente em processo de registro de direitos autorais), seus amigos (incluindo Gal, que se parece muito comigo) e suas histórias (incluindo a primeira, em fase final de produção e em busca de editoras).

Certo, e quem é Pork? Um porco vegetariano, de humor ácido e tiradas sarcásticas, que tem um palpite pessismista e caótico sobre tudo, criado pelo designer gráfico Pedro Brondi, como hobbie. Mas o que era hobbie de charges e cartoons, se tornou uma graphic novel com roteiros meus que envolvem mitologia grega, conflitos no Oriente Médio, epidemias virais e psicologia barata.

Mais do que isso, o que era para ser um projeto divertido se tornou um trabalho sério a ser apresentado como um tese de conclusão de curso, um novo site no ar e, ainda, tirinhas do jornal da minha cidade e entrevistas na televisão.

Para saber mais, leia meu blog com regularidade, visite o Pork Comics e o blog quadrilandia.blogspot.com e ria bastante.

28 outubro 2009

Conto recusado


Nem só de glórias é feito esse blog.

Enquanto não posto como foi o lançamento do "Dimensões.BR" e nem o que achei da antologia especial da Bienal da All Print editora, devo dizer que recentemente mandei um conto fantástico para avaliação e ele foi recusado. O conto em questão é um dos que gosto muito e, obviamente, tentarei incluí-lo em uma outra antologia, mais para frente.

O fato é que agora devo lidar com a frustração e torcer para que tenha melhor sucesso da próxima vez... Claro, já fui recusado antes, como no caso do conto que está em "Dimensões.BR", mas é que esse conto me é muito especial, e criei grandes expectativas sobre ele. Ainda bem que eu sei que ele foi recusado de forma justa. Ou será que era melhor acreditar que foi injustiça?
A boa notícia é que meus dois contos, incluindo "Na manhã seguinte" fora pré-selecionados no oitavo concurso cultura da editora Guemanisse, e concorrem a publicação e prêmio em dinheiro. Ou, uma publicação de consoloção juntos com aqueles que não forem honrosamente ou especialmente mencionados.

21 setembro 2009

Especial na Bienal

Caros amigos e caros leitores, esse ano parece estar com tudo. Pelo menos, até agora, cada texto meu enviado foi publicado. E o mesmo vale para um conto fantástico que enviei para a Editora All Print, tão em cima da hora que o prazo já havia terminado e o volume já parecia fechado. Mas em conversas com o atendimento da editora, consegui que tal conto fizesse parte do livro "Antologia de poesias, contos e crônicas - Especial da XVI Bienal do Livro do Rio", que saiu ontem, no estande da All Print, ao final da tarde, durante o encerramento da Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Não pude estar presente, mas minha cota já está em mãos, com obras de autores novatos e veteranos do país todo.

E sobre o que trata tal conto? Bem, o tema da antologia era "livros", portanto, escolhi uma obra minha que trata sobre a escrita de um conto fantástico, tendo como motivador a própria literatura fantástica. Em referências a Jorge Luis Borges, literatura chinesa, literatura árabe e, especialmente, a literatura fantástica japonesa, descrevo processo de escrita do próprio conto, com uma idéia surgindo, literalmente, na minha porta, enquanto estudava sobre o tema. A idéia básica do conto é, portanto, a falta de idéias para um conto e como essa falta de idéias se torna o próprio conto.

Talvez, o fator mais interessante da obra seja o f ato de ele ter marcado um importante evento na minha vida: esse conto é uma volta minha para a escrita. Eu o escrevi há 4 anos atrás, depois de um longo período sem ter escrito nenhum conto e nenhum capítulo, apenas alguns versos livres e brancos, esparsos em páginas de cadernos. É um conto que marca o fim de um período de letras surreais e o início de um desejo e um esforço sincero de me tornar escritor.

Àqueles que o leram, deram-me um retorno positivo e ansioso. E, como não poderia deixar de ser, o nome do conto é "Um conto fantástico"!

18 setembro 2009

Um conto em uma antologia de contos fantásticos brasileiros



Há uma história que minha vó conta, e ela jamais mentiria. Também há uma história que meu avô contava, e ele tinha várias histórias para contar e vários motivos, também, para contá-las. Também há mais duas histórias, todas dentro da mesma família, a família da minha mãe. Nada mais lógico do que uni-las, não é? Afinal, todas essas histórias poderiam estar falando da mesma coisa.

Passei a acreditar que todas essas histórias, na verdade, fossem uma só, como se fossem parte de uma história maior: lobisomens! Figura comum em folclore do mundo todo, mesmo onde não existem lobos (no Brasil, o lobisomem se encontra nos causos caipiras, essencialmente, mas aqui só temos lobos-guará, que não são lobos). O lobo-mau dos contos de fadas e fábulas, os berserkers germânicos e por aí vai, todos são facetas do lobo devorador do sol (segundo uma conhecida e medieval figura alquímica). Tal qual a sereia (que um dia virará outro conto meu), o lobisomem precisava de minhas letras.

Talvez, então, o conto "História de família", não seja a visão que gostaria de passar de lobisomens, mas é a visão que eu tive. A figura do homem lutando contra a natureza, do homem deixando de lado sua racionalidade social e se unindo a natureza... Nada disso há no meu conto. E, por alguma razão, quando a revisora e escritora Helena Gomes estava preparando material para a antologia "Marcas na parede" (da Editora Andross), encontrou meu conto perdido entre tantos outros e sugeriu que ele fizese parte de outra antologia, o "Dimensões.BR" (que conta com participação da prolífica e famosa escritora e roteirista Rosana Rios, bem como um prefácio de um dos melhores autores de ficção científca brasileira, o Roberto de Souza Causo).

O mais curioso de toda a história, mais até do que o conto, é que eu nunca mandei nenhum conto para a antologia "Marcas na parede". Como meu conto foi parar lá, então? Simples, mas fantástico! "História de família" (na verdade, um presente de aniversário apra minha esposa) foi o primeiro conto que mandei apra uma antologia, mandei-o há um ano e meio atrás para uma outra antologia chamada "Caminhos do medo" (organizada pelo editor Edson Rossato, e contando com a participação dos editores Danny Marks e Ricardo Delfin, do "Dias contados").

Na época, meu conto não foi aprovado, mas foi encaminhado para outra antologia. Depois disso, amndei mais dois contos e foram aprovados. Entretanto, agora, no dia 3 de outubro, às 15:00, na Biblioteca Viriato Corrêa, em São Paulo, depois da palestra da Helena e do Roberto, depois da leitura dramática de alguns contos pela atriz Cristian Gimenez, o livro "Dimensões.BR" será lançado, com 55 contos fantásticos passados no Brasil, escritos por brasileiros novatos. E uma capa maravilhosa.

Eu estarei lá, autografando, rindo, tremendo e bebendo. Quem quiser comparecer e adquirir um volume, terá toda a gratidão de minha família. Depois, estarei aqui, relatando o ocorrido.

06 agosto 2009

Evento de lançamento: "Dias contados".


Dia primeiro de agosto desse ano foi um sábado onde se deu início ao mês do cachorro louco e as celebrações pagãs de Lughnassad, de acordo com o calendário do Hemisfério Norte. Mais do que isso, foi o dia que reuniu as pessoas que amo e com quem convivo em um evento importante para mim (o primeiro de muitos). E lá vem outro post biográfico e melodramático...

Aconteceu na Biblioteca Temática de Literatura Fantástica Viriato Correia. O espeaço que leva o nome do escritor infanto-juvenil e jornalista brasileiro de meados do século XX, abriga mais de 43.000 títulos de autores em literatura de fantasia, horror, ficção científica e infantil, além de uma série de eventos envolvendo contações de histórias, exibições de filmes, exposições de arte, palestras e RPGs.

Foi nesse referido lugar e nessa referida data que, a partir das 15:00 deu-se início a cerimônia. Obviamente, devido a minha ansiedade em não desperdiçar tempo, chegamos bem antes na Vila Mariana, em São Paulo, capital. Pude assim ver a pilha de livros que continham meus contos e conhecer pessoalmente (fisicamente, visualmente, sonoramente) um dos organizadores do livro: Danny Marks (a quem já me referi, informando que seu livro, inclusive, é lançado no dia 8 de agosto em Santos).

Feitas as apresentações e retirados meus mamteriais (pasta, crachá, contrato, cópias dos livros, etc...) começou o evento. Primeiro, autores, editores e convidados se reuniram no auditório para assistir uma palestra sobre o fim do mundo (com o especialista em ocultismo, sociedades secretas e história medieval Sérgio Couto), com direito a perguntas sobre a produção do livro. Seguida da palestra, por volta das 16:00, a atriz Cristiana Gimenez fez a leitura dramática de 6 contos do livro (o livro realmente tem alguns contos e alguns autores excelentes, mas ninguém acaba o mundo citando Cthulhu). Acabado esse momento, veio o pior momento...

25 dos 48 autores estavam presentes, e todos foram convocados a subir no palco para serem fotografados e aplaudidos. Foi aí que pensei que talvez eu não queira ser tão famoso: Sessão de fotos me deixou mais envergonhado do que nascer! Depois disso, com aquela multidão de gente se espremendo entre mesas e vinhos, arrumei um tempo e lugar para fumar (quem ler meu conto"Sete minutos" entenderá melhor o porquê de eu ter citado cigarros nesse post e no anterior). Acabado o cigarro, respirei fundo e entrei de volta no salão da biblioteca.

Era hora de achar meus convidados, meu copo e um lugar. Tirei minha caneta do bolso e comecei a dar autógrafos. Autografei livro de parentes, livro de amigos e, claro, livro de autores (e eles autografaram o meu, também). Porém, os autores também tinham seus convidados e alguns desses convidados, por educação, por real interesse ou por esperança no futuro, foram coletar os autógrafos de todos os autores. E foi assim que surgiu uma menina na minha frente, desconhecid até então. Ela me entregou o livro e disse algo relativo a autografar. Perguntei quem ela era e me respondeu com um nome de ninfa grega (verdade!). Então, sorri, abaixei meus olhos e perguntei o que é que eu devia fazer. Ela me disse para autografar para ela. Tremi, mas fiz.

A experiência é ótima, mas é muito estranha. E sabe o que é mais estranho? E que por melhor que tenha sido e por mais que eu tenha gostada, fiquei e saí de lá, o tempo todo, com a sensação de que não podia ser diferente. A ordem natural das coisas em minha vida, o equilíbrio a que busco e a que vim, é esse: ser autor, publicar meus escritos e ainda encontrar tempo e espaço o suficientes para mostrar toda a minha arrogância ao dizer isso.

08 julho 2009

Antologia de contos sobre o fim do mundo.

Finalmente, abro espaço para um novo marcador de tópicos discutidos nesse blog: "eu escritor". E, por se tratar de mim mesmo (afinal, como alguém poderia escrever algo que não fosse si mesmo?) e por se tratar de escrita (algo que desenvolvo aqui e algo sobre o qual desenvolvo aqui, também), peço que tenham paciência e se preparem para um texto longo e dramático, como só um texto biográfico poderia ser. Vejam só, até dei uma organizada no layout deste texto para amenizar a pieguice.

Pois bem, eu me lembro do meu último dia de aula no Jardim III (aquele ano escolar que antecedia a primeira série, e que ninguém sabia o que significava ou para que servia). Eu estava extasiante. A partir de então, eu poderia ler qualquer coisa que surgisse na minha frente. Eu já sabia todas as letras, até o o famoso "z". E foi então, como mágica, voltando para casa e pensando no video-game do Mario que iria jogar durante todas as férias antes de dar mais uma passo na minha educação, que meu primeiro grande desejo de vida surgiu: "quero ser um escritor".

E assim foi, quando crescesse, eu gostaria de ser um escritor. Essa deveria ser minha profissão, pois parecia a melhor do mundo (e ainda parece). Mas, esse foi apenas um dos desejos. O outro surgiria em decorrência da leitura. Naquele dezembro de 1989, lendo o "Manual do escoteiro mirim", descobri sobre os castelos e paisagens da Escócia. Nasceu ali o meu segundo grande desejo de vida: "Quero passar um tempo em outro país". Imediatamente, o terceiro e último grande desejo de vida acompanhou a lista: "Quero me casar com o verdadeiro amor para poder passar um tempo em outro país".
O tempo passou, obviamente. Orgulhosamente comprei e li meu primeiro livro ("Menino maluquinho", do Ziraldo) e comecei a escrever minhas primeiras histórias. Todas precariamente ilustradas e sempre sobre personagens de video-game, desenhos animados e contos que lia, afinal, eu tinha entre 7 e 9 anos. Foi só com 10 anos, que escrevi minha primeira história de verdade, como digo. Chamava-se algo como "O dia final do soldado eterno no campo universal" (um título quase do tamanho da história e que ambicionava mostrar algum conteúdo filosófico initeligível). Enfim, tratava-se de um conto sobre um militar aposentado morrendo de câncer devido a radiação da última guerra em que participou. O conto narrava os eventos finais de sua vida, quando este levava sua família para visitar o campo onde se travou a tal batalha, para que ele anunciasse o seu derradeiro e iminente fim.
Minha professora de ciências levou o texto para casa, leu, chocou-se e, no dia seguinte, me devolveu dizendo que não deveria me preocupar em escrever. Principalmente histórias com aquele conteúdo. Ela achava que uma criança feliz deveria brincar. (Curioso como na quinta série minha professora de português, que me odiava, dizia que ela nunca viveria para trabalhar um livro meu com os alunos dela; curioso, também, como no primeiro colegial a psicóloga da escola afirmou que meu problema era que eu lia demais e isso nunca me ajudaria).
Durante aquele resto de ano, não mais escrevi. Só retomei a escrita aos 11 anos, depois de uma série de eventos na minha vida e quando comecei a ler livros de vedade (como sempre digo). Influenciado pelo "Mundo de Sofia", escrevi "Cartas para um palhaço" (que considero minha primeira história séria e bem feita, muito embora hoje eu a ache terrível, simplista e vergonhosa). Depois disso, conheci Edgar Allan Poe e toda a minha vida mudou. Entendi que de fato eu poderia escrever algumas coisas que vinham na cabeça e poderia fazê-las bem feitas. ("Frankenstein", de Mary Shelley, também surtiria um efeito parecido, porém mais amplo, no ano seguinte).
Assim, escrevi contos policiais, contos de horror, contos de mistério, contos de morte e mais contos filosóficos até meus 15 anos, sempre pretendendo um dia publicar meu próprio livro de contos. Mas, algo aconteceu... Com 15 anos, li um livro do qual ouvira falar e ficara curioso desde os 14: "O senhor dos anéis", de J. R. R. Tolkien. Jogador de RPG desde os 11 anos (outra forma de contar histórias, diga-se de passagem), não podia deixar de ler sobre elfos e dragões. Naquele dia primeiro de abril em que comecei a ler, um pensamento me sobreveio: "posso, então, escrever sobre mitos e folclores".

Começaria a escrever minha primeira história longa, casualmente. Chamava-se "A lenda do elfo" e era divido em oito partes, cada uma contendo 15 contos em sequência, todos descrevendo um memsmo personagem. A idéia surgiu sem querer. Primeiro veio um conto, e, de repente, eu tinha escrito um outro conto onde aquele personagem aparecia. Percebi que podia contar toda a sua vida e fui escrevendo tudo fora de ordem para depois organizar linearmente (um procedimento parecido com o que Robert E. Howard fez com Conan). Mas "A lenda do elfo" mudou de nome, mudou de proposta e nunca foi para frente, nem deve ir. O melhor momento que a série teve foi uma longa e bela campanha de RPG!

Ciente de que poderia escrever fantasia, mas não desejava escrever fantasia, era hora de abrir meus olhos para novas letras. Conheci a literatura fantástica de Jorge Luis Borges e de Neil Gaiman. Era aquilo que queria escrever. E foi escevi desde então, embora o período da faculdade de psicologia tenha tido hiatos significativos na minha produção amadora.

E, mais uma vez, como sempre, o tempo passou. Ainda não era um escritor profissional e por tolice e medo, recusei possibilidades de publicar. Mas, então, eu já estava casado. Meu primeiro grande desejo muito bem realizado. E, logo em seguida, graças a minha verdadeiramente amada esposa, eu estava de viagem para o Japão, só a passeio, durante um mês. Um lugar em que eu nunca pensara em visitar e que mostrou o melhor lugar que o mundo poderia conceber (embora me falte conhecer todo o resto do mundo). Outro grande desejo da minha vida estava muito bem realizado. E assim como meus desejos nasceram juntos e entrelaçados, eles iriam se realizar juntos e entrelaçados.

No avião, sozinho, num vôo entre Tokyo e Izumo, vislumbrei o imenso e imponente monte Fuji. Pensei e anotei, ali mesmo, no meu diário: "O que aconeceria se a mulher, cujo corpo é o próprio monte Fuji, um dia resolvesse e se levantar e ir embora?". Até hoje não sei a resposta para essa pergunta e nem para tantas outras que surgiram durante a viagem. Mas, como toda boa pergunta, ela nunca saiu da minha memória. Pelo contrário, despertou várias outras perguntas.

Por exemplo: uma bela tarde, depois de trabalhar o dia todo para ganhar pouco e mal conseguir sustentar minha nova família de esposa e gatas, eu caminhava. Caminhava vendo um pôr do sol laranja e a mais movimentada avenida da minha cidade com centenas de carros e pedestres se expremendo violentamente. Não sei qual era o ruído que a cena produzia pois meu mp3-player estava em meus ouvidos. Tocava a música "Sæglópur" do Sigur Rós, do álbum de 2005 "Takk...". Quando o "Takk..." saiu, minha esposa ainda era minha namorada, e ela estava no Japão, de onde me trouxe minha cópia do tal álbum. Ouvindo a música fiquei me pensando em como nos matávamos para trabalhar e não aproveitávamos anda, em como a vida se tornaria selvagemente louca e todas essas outras crises existênciais típicas. Eu via o pôr do sol e me perguntava como ninguém aprava o que estava fazendo só para agradecer e louvar o sol. Mas, logo em seguida, a música acabou e deu início a "Hoppíppolla", também do Sigur Rós e também do "Takk...". O piano suave e alegre iniciava a melodia eos arranjos de corda. Foi com essa música que me casei. E me casei dentro de um ritual pagão, como não podia deixar de ser. E me casei a beira do Rio Grande, no pequeno vilarejo de Peixoto, onde moram apenas trabalhadores da usina hidroelétrica da região. Lá que passei minha lua de mel. Lá mora um lugar do meu coração desde que conheci. As montanhas, as águas, a paz, o vazio...




Com lágrimas nos olhos, surgiu uma nova pergunta: "o que aconteceria se o Rio Grande se levantasse e fosse embora sem avisar nada e nem ninguém?". Voltei para casa correndo, larguei as compras sobre a mesa, liguei meu computador e respondia essa pergunta. Até hoje, julgo ter sido o melhor conto que escrevi (e, inegavelmente, inspiradíssimo no realismo mágico e nof ormato dos diálogos escritos pelo meu maior influenciador desde o ano passado: José Saramago).

O conto chama-se "Na manhã seguinte" e é o conto que encerra a antologia "Dias contados", lançada pela Editora Andross no dia primeiro de agosto desse mesmo ano, na Biblioteca Temática Virato Corrêa, em São Paulo, a partir das 15 horas. O livro conta com 50 contos, sendo dois meus, um argentino (maravilhoso, diga-se de passagem) e um da escritora fantástica e revisora Helena Gomes (que eliminou todas as minhas características de Saramago para manter o padrão da editora). O livro é editado pelo quadrinista Edson Rossato e é organizado pelo administrador e escritor Danny Marks (cujo primeiro livro, "Universo subterrâneo", sai dia 7 de agosto, em Santos, mas minha cópia dos contos, autografáda, já está a caminho) e pelo crítico de cinema e escritor Ricardo Delfim.

Meu conto, "Na manhã seguinte", foi editado e revisado por Danny Marks (um bom amigo bruxo, hoje em dia). A edição foi feita de forma bem respeitosa, com discussões, sugestões e questionamentos dos lados, mantendo minhas palavras, minhas idéias, mas um pouco da visão mais ampla do Danny, afinal, ele era um dos organizadores. o outro conto, "Sete minutos", está na página 43 do livro. E, por opção minha (e sugestão do Danny), foi editado e revisado pelo Ricardo. Como já tinha um conto aprovado no livro, a ansiedade e pressão sobre mim era menor para que se aprovasse outro conto (embora, obviamente, queria muito sentir, de novo, o coração disparar, as mãos e a voz tremerem, os olhos marejarem e a boca se abrir apenas para inspirar e expirar o momento de ler "seu conto foi aprovado, parabéns"). O trabalho com o Ricardo, portanto, não contaria com nenhum proteção e foif eito de forma bem interessante, uma experiência rica para mim, trabalhar com outro editor/revisor. Nós trabalhamos de forma mais incisiva e prática, por assim dizer, com sugestões mais pontuais e drásticas do Ricardo, o que levou a um resultado final bem interessante.

Então, leitores, leitoras, amigos, amigas, familiares e, especialmente, minha amada, sai agora minha primeira publicação oficial e reconhecida. Não é só minha, mas já é um primeiro passo, não é uma editora de nome grande e pesado, mas é uma editora séria que busca lançar novos autores. Meu último grande desejo de vida se realiza. Agora eu posso morrer? Claro que não. Quero continuar casado, quero viajar mais e quero publicar mais e mais.

Mas, quer saber como surgiu o outro conto, "Sete minutos"? Bem, foi com um pergunta. Eu estava feliz e incrédulo de que um conto fora aprovado apra ser impresso em papel e distribuído pelo país. Era uma quinta-feira. Eu estava jantando com miha esposa e nossa situação financeira e profissional já estavam bem melhores (até começávamos a pensar em um dia visitar a Islândia, outro daqueles lugares perfeitos). ela falava sobre como o trabalho dela, na Secretaria da Saúde, era apocalíptico: epidemias, catástrofes naturais, violência. Ela disse que não estranharia nem um pouco se o celular dela tocasse naquele instante, anunciando uma invasão alienígena ou um ataque zumbi. Foi quando me veio a pergunta: "será que a prefeitura tem algum departamento público de segurança no apocalipse?". No sábado, acendi um cigarro, e respondi essa pergunta.