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07 maio 2010

Projeto de novo livro do Lovecraft


Como muitos aqui sabem, sou um fã inveterado do Lovecraft. A tal ponto que não só dedico parte do meu blog para falar de sua obra, como também fundei uma lista de discussão no Yahoo! Grupos sobre Lovecraft (Culto Lovecraftiano, para quem se interessar) que já cresceu muito e se relaciona com importantes sites e pessoas ligadas aos Cthulhu Mythos.
Dentre esses sites, podemos sitar o Site Lovecraft (www.sitelovecraft.com), obra de Denilson, que além de ter se tornado um amigo meu, também se tornou o outro moderador da tal lista de discussão.
Pois bem, o Denilson também é apaixonado pela obra do mestre do horror indizível e cósmico. E por conta dessa paixão, ele nunca esteve satisfeito com as traduções que o brasil propiciou para a obra de Lovecraft, taão pouco se satisfez com a limitada seleção de contos traduzidos. A partir disso, ele idealizou um projeto junto a algumas editoras e pretende publicar um volume contendo grande parte da obra de Lovecraft. Essa grande parte, necessário dizer, incluirá os contos mais improtantes na história do autor e na história de seus mitos inventados, bem como contos tidos como prediletos para muitos de seus leitores, contos inéditos em português, contos fora de catálogo há muito tempo, cartas e ensaios de não-ficção onde são expostos seu processo criativo e interpretação da obra e, por fim, uma biografia completa com várias fotos, tudo priorizando os (mas não limitado aos) Cthulhu Mythos.
Mesmo com a morte de Lovecraft ocorrida há mais de 70 anos, não é 100% de sua obra que tem os direitos em domínio público, então isso está sendo cuidadosamente pesquisado e resolvido (e essa é uma das minhas participações no projeto, além da ajuda na seleção de quais contos entrarão, através de muita pesquisa), bem como os direitos de alguns contos escritos em parceria. Ainda assim, o livro promete ser bastante abrangente e repleto de novidades.
O volume ainda não tetm nome, mas já tem algumas especificações: tetrá entre 450 e 500 páginas, com fonte de tamanho reduzido, papel branco de qualidade, capa com design moderno, medindo um tamanho semelhante aos volumes da série "Crepúsculo" ou da editora Sextante.
Porém, o livro está sendo negociado junto a três editoras (um bem conhecida e outras um pouco menores, por isso não posso dizer qual delas será a escolhida) e será publicado sobre demanda. Ou seja, a tiragem será exatamente aquela referente a seus compradores. Por essa razão, o Denilson procura interessados no projeto. O livro deve ficar pronto, provavelmente, no início de 2011 (pode ser antes, pode ser depois, isso depende de alguns detalhes) e irá custar em torno de R$59,00 (tá, é meio salgado, eu sei, mas a idéia dele é qualidade junto quantidade). Então peço que quem se interessar (e confiar, afinal, é difícil "compar" um livro antes de conhecê-lo) mande um e-mail apra ele mostrando seu interesse e, também, tirando dúvidas e dando sugestões de quais contos vocês acham que poderiam constar no livro. Ah, e quem se dispor a voluntariamente ajudar na tradução, na organização, na diagramação, etc..., creio que será bem vindo.
O e-mail dele é de3103@yahoo.com.br .
Quem mais quiser ajudar a divulgar creio que também será bem vindo pelo Denilson. Aliás, quem for escrever para ele, pode dizer que fui eu quem divulguei o livro nesse blog, acho que isso reduzirá o susto que ele pode ter com e-mails desconhecidos (sabem como é, esse pessoal que mexe com Cthulhu é meio paranóico).
Obrigado pela atenção, mas é que acho que esse projeto parece valer a pena e o Denilson é uma boa pessoa e muito apaixonado por Lovecraft, por essa razão resolvi ajudá-lo.

20 abril 2010

August Derleth e os mitos de Lovecraft




August William Derleth nasceu no estado de Wiscosin, em 24 de fevreiro de 1909. Apesar de muitos ainda o conectarem a seu personagem mais conhecido, Solar Pons uma sátira/homenagem à Sherlock Holmes, o que tornou Derleth famoso foi seu contato com Lovecraft e os mitos de Cthulhu. Aliás, contato esse crucial para os mitos, uma vez que foi ele quem nomeou o universo de criações de Lovecraft como Cthulhu Mythos.


Lógico que é bem possível que muitos fãs da obra de Lovecraft torçam o nariz ao ouvir o nome de Derleth, já que ele introduziu elementos até então ausentets na obra de Lovecraft. Por exemplo, Derleth foi o criador de uma guerra cósmica entre os Deuses Mais Antigos (entidades benevolentes, como Nodens do conto "A casa que pairava nas brumas") e os Grandes Antigos (entidades malévolas, como o próprio Cthulhu e muitos outros famosos, incluindo Shubb-Nigurath, Nyarlathotep, Azatoth e Yog-Sothoth). Nessa tal guerra cósmica, o Deuses Mais Antigos expulsaram o Grandes Antigos da constetlação de Betelgeuze (e da onde você acha que vinha o nome do meu blog?).


Pois bem, essa guerra trouxe elementos maniqueístas como o bem e o mal para o universo das criaturas, lugares e livros de Lovecraft. Qual o problema nisso? Simples, Lovecraft não queria instigar a crença de que Cthulhu e seus amigos eram maus, ele queria levantar a hipótese do Caos, da pequenez da humanidade diante essas criaturas, a falta de lógica e, consequentemente, falta de altetrnativas para lidar com a ameaça alienígena e colossal que dorme acidentalmente nas profundezas de nossos oceanos. mais ainda, Derleth trouxe uma esperança de combater esse mal invocando as forças do bem.


E houve outra forma de combater o mal. Lovecraft introduziu alguns gestos e símbolos mágicos para invocar os Grandes Antigos. O mais famoso desses símbolos era o Sinal Antigo, uma espécie de runa imitando uma folha de palmeira. Pois bem, Derleth transformou o Sinal Antigo em um pentagrama com um olho no meio e deu a ele o poder de afastar o mal. Drástico, não? Mas não acaba por aí.


Provavelmente, a maior polêmica que Derleth trouxe aos mitos de Cthulhu foi a questão elemental. E quando digo elemental me refiro aos elementos em si, aqueles quatro elementos da altat magia cerimonial: terra, ar, fogo e água. Pois bem, Derleth associou quatro Grandes Antigos aos elementos, como se eles regessem esses elementos e se manifestassem através deles. O fez da seguinte forma: Cthulhu para a água, Cthuga para o fogo, Nyarlathotep para o ar e Shubb-Nigurath para a terra. Uma interpretação no mínimo curiosa, especialmente para os fãs de ocultismo, mas não podemos ignorar o fato de que isso limita todo o poderio dos Grandes Antigos.


Então, você deve estar se perguntando como Derleth fez tudo isso? Ora, escrevendo, é claro. Derleth escreveu centenas de contos e dezenas de livros. Dentre as séries ligadas ao já citado Polar Sons, quanto em outras séries ligadas a unvierso algum, Derleth explorou os mitos de Cthulhu. Citou nomes e sobrenomes de personagens, lugares, tomos secretos e proibidos, divindades e criaturas. Mais ainda, foi o organizador de duas antologias sobre os mitos de Cthulhu com contos escritos por diversos autores, além de ter escrito sua própria antologia de contos sobre o universo de Lovecraft ("The mask of Cthulhu", onde encontramos um conto onde ele explora a divindade Hastur, que antes só havia sido obscuramente citada por Lovecraft, em referência a obra de Lord Dunsany) e uma novela com diversas histórias interligadas nesse mesmo unvierso (o famoso "The trail of Cthulhu", que deu origem até a um RPG que em breve será traduzido no Brasil).


Um dos trabalhos mais famosos de Derleth sobre os mitos de Cthulhu é o romance "The lurker at the threshold", que estampa na capa uma colaboração entre ele e Lovecraft. Na verdade, Derleth apanhou dois contos que Lovecraft deixou inacabados ao morrer (um total de 50.ooo caractéres) e escreveu o resto, unindo esses trechos e criando uma empolgante aventura de suspense e horror, dentro do renovado universo de elementos e maniqueísmo. Claro que muitos fãs rejeitaram a obra, mas eles rejeitariam ainda mais os outros 16 contos dessa 'parceria'. Contos onde Derleth apanhou rascunhos, protóptipos, idéias abandonadas e versões alternativas de contos de Lovecraft e os publicou ao longo de sua carreira sob o nome dos dois, mas sob as palavras do primeiro, que infelizmente não são tão boas quanto as do segundo. Ainda assim, alguns momentos são bons e você pode conferí-los no coletânea "Watchers out of time" (título que se refere a um conto que o próprio Derleth deixou incabado ao morrer).


Com base nisso tudo, você deve estar se perguntando porque afirmei logo no início dessa postagem que August Derleth teve a importância a crucial para os mitos de Cthulhu. Explico. Além de dar o nome de Cthulhu Mythos para abarcar toda a criação fatnástica das histórias de Lovecraft, foi o próprio Derleth quem permitiu que Lovecraft se tornasse conhecido e viesse até nós, nos dias atuais. Sim! Sem Derleth, jamais saberíamos quem foi Lovecraft e seuqer saberíamos que ele um dia existiu e inventou o Necronomicon (uma postagem que ainda estou devendo).


Acontece que Derleth sempre foi admirador de Lovecraft e amigo pessoal, corresponde-se com ele durante muitos anos e cartas. Inclusive, Derleth muitas interviu junto aos editores da revista "Weird Tales" para que publicassem os contos de Lovecraft. E Lovecraft, por sua vez, só viu um único livro seu ser publicado: "A sombre sobre Innsmouth". Fora isso, viu alguns contos serem publicados em revistas de ficção científica, aventuras pulp e horror, enquanto esperava que "Nas motanhas da loucura" (que já havia sido publicado em série) fosse publciado como uma novela.


Então, após a morte de Lovecraft, eis que Derleth funda a Arkham House em 1939 (uma referência a cidade mais famosa criada por Lovecraft, que mais tarde serviu de inspiração para os quadrinhos do Batman). O objetivo da Arkham House (que publicou as obras do próprio Derleth e de muitos outros autores famosos, como Ray Bradbury) era popularizar aquilo que outras editoras não se interessaram em tornar popular: Lovecraft e os mitos de Cthulhu. Não a ota, a primeira publciação da editora foi "The outsider and other stories" contendo alguns dos contos mais famosos de Lovecraft.


E foi a partir dessa iniciativa de Derleth, um editor e um fã, que Lovecraft alcançou o cinema, os quadrinhos, os RPGs, os brinquedos, as piadas e os livros na sua prateleira. Também foi a partir da paixão de Derleth que muitas divindades, tomos, cidades, personagens e criaturas, adcionaram uma sombra maior e uma riqueza mais profunda aos mitos de Lovecraft. Mitos esses que deixaram de ser de Lovecraft apenas, para se tornarem de Derleth e, a partir de então, de Howard, Smith, Bloch e muitos outros. Foi assim que um desconhecido autor que implorava por publicações baratas em pequenas revistas se tornou o autor dos mitos de Cthulhu: através de August Derleth.

06 agosto 2009

Evento de lançamento: "Dias contados".


Dia primeiro de agosto desse ano foi um sábado onde se deu início ao mês do cachorro louco e as celebrações pagãs de Lughnassad, de acordo com o calendário do Hemisfério Norte. Mais do que isso, foi o dia que reuniu as pessoas que amo e com quem convivo em um evento importante para mim (o primeiro de muitos). E lá vem outro post biográfico e melodramático...

Aconteceu na Biblioteca Temática de Literatura Fantástica Viriato Correia. O espeaço que leva o nome do escritor infanto-juvenil e jornalista brasileiro de meados do século XX, abriga mais de 43.000 títulos de autores em literatura de fantasia, horror, ficção científica e infantil, além de uma série de eventos envolvendo contações de histórias, exibições de filmes, exposições de arte, palestras e RPGs.

Foi nesse referido lugar e nessa referida data que, a partir das 15:00 deu-se início a cerimônia. Obviamente, devido a minha ansiedade em não desperdiçar tempo, chegamos bem antes na Vila Mariana, em São Paulo, capital. Pude assim ver a pilha de livros que continham meus contos e conhecer pessoalmente (fisicamente, visualmente, sonoramente) um dos organizadores do livro: Danny Marks (a quem já me referi, informando que seu livro, inclusive, é lançado no dia 8 de agosto em Santos).

Feitas as apresentações e retirados meus mamteriais (pasta, crachá, contrato, cópias dos livros, etc...) começou o evento. Primeiro, autores, editores e convidados se reuniram no auditório para assistir uma palestra sobre o fim do mundo (com o especialista em ocultismo, sociedades secretas e história medieval Sérgio Couto), com direito a perguntas sobre a produção do livro. Seguida da palestra, por volta das 16:00, a atriz Cristiana Gimenez fez a leitura dramática de 6 contos do livro (o livro realmente tem alguns contos e alguns autores excelentes, mas ninguém acaba o mundo citando Cthulhu). Acabado esse momento, veio o pior momento...

25 dos 48 autores estavam presentes, e todos foram convocados a subir no palco para serem fotografados e aplaudidos. Foi aí que pensei que talvez eu não queira ser tão famoso: Sessão de fotos me deixou mais envergonhado do que nascer! Depois disso, com aquela multidão de gente se espremendo entre mesas e vinhos, arrumei um tempo e lugar para fumar (quem ler meu conto"Sete minutos" entenderá melhor o porquê de eu ter citado cigarros nesse post e no anterior). Acabado o cigarro, respirei fundo e entrei de volta no salão da biblioteca.

Era hora de achar meus convidados, meu copo e um lugar. Tirei minha caneta do bolso e comecei a dar autógrafos. Autografei livro de parentes, livro de amigos e, claro, livro de autores (e eles autografaram o meu, também). Porém, os autores também tinham seus convidados e alguns desses convidados, por educação, por real interesse ou por esperança no futuro, foram coletar os autógrafos de todos os autores. E foi assim que surgiu uma menina na minha frente, desconhecid até então. Ela me entregou o livro e disse algo relativo a autografar. Perguntei quem ela era e me respondeu com um nome de ninfa grega (verdade!). Então, sorri, abaixei meus olhos e perguntei o que é que eu devia fazer. Ela me disse para autografar para ela. Tremi, mas fiz.

A experiência é ótima, mas é muito estranha. E sabe o que é mais estranho? E que por melhor que tenha sido e por mais que eu tenha gostada, fiquei e saí de lá, o tempo todo, com a sensação de que não podia ser diferente. A ordem natural das coisas em minha vida, o equilíbrio a que busco e a que vim, é esse: ser autor, publicar meus escritos e ainda encontrar tempo e espaço o suficientes para mostrar toda a minha arrogância ao dizer isso.

18 janeiro 2009

Filus Aquarti, Bloop e R'lyeh


"Quando as estrelas se alinharem, os Grande Antigos despertaram de seu sono eterno e retornarão para tomar a Terra e os homens em horror, caos e loucura", ou alguma coisa deve dizer a profecia que permeeia qualquer conto de Lovecraft

sobre os, assim chamados, mitos de Cthulhu. Como se vê, cultistas de religiões antigas e hereges visam trazer essas poderosas criaturas ao mundo com rituais encontrados no Necronomicon (ainda não me esqueci que devo um post sobre o livro) ou portais dimensionais para a terra dos sonhos.


Mas, e se o nosso tempo for tempo certo? E se o retorno de Cthulhu, Hastur e todos os outros for agora? Lembrem-se que nos post "o chamado de Dagon", eu mostrava como Cthulhu, na verdade, fazia referência a uma série de deuses, entre eles o Filus Aquarti, que esqueci de mencionar, mas que, menciono agora, diz respeito a um personagem literário de Arthur Machen, famoso escritor galês de terror e uma das fontes de inspiração para Lovecraft. Seu Filus Aquarti veio de seu conhecimento sobre a Golden Dawn, uma ordeme sotérica e um caminho mágico muito popular do qual Sonia Green, ex-esposa de Lovecraft, também fazia parte (certo, a parte sobre Sonia Green é um boato, apenas).


Contudo, não podemos nos esquecer da universalidade do mito de homens-peixe, ou seres inteligentes e humanóides que habitam as águas do mundo todo, como as sereias, ondinas, yaras e o clero medieval (de acordo com algumas gravuras da época). Tais homens-peixes, assim como a serpetne Leviatã da "Biblia Sagrada", surgem nos mitos de Cthulhu e na obra de Lovecraft como os seres das profundezas (e seus híbridos com humanos) e o pai Dagon e mãe Hydra, respectivamente.


Teorias da conspiração apontam que Lovecraft sabia sobre algo (coisa que pretendo refutar no meu já prometido futuro post sobre Necronmicon). Mas, coincidência ou não, em 1997, no oceânico pacífico, razoavelmente próximo ao Chile, mais precisamente nas aproximadas coordenadas Latitude Sul 50' e Longitude Oeste 100', a N.O.A.A. (uma instituição internacional que monitora as águas desde os tempos da Guerra Fria, como forma de previsão de ataques russos ou estadosunidenses) captou um ruído que eles chamam de "bloop". Bloops são uma espécie de ronco ou rangido, sem identificação.


Acontece que esse bloop, o maior já registrado, durou mais de um minuto e parece ser de origem animal. Seu volume é elevado e não se assemelha a nenhum outro ruído pelos animais marinhos já encontrados. Há quem diga que se trate de uma baleia maior que a baleia azul, mas nenhum mamífero cetáceo viveria na profundidade dos 5000 metros de onde se originou o bloop. Outros apontam que se trate de um cefalópode pré-histórico ainda desconhecido.


O que há de curioso nisso? Procurem em um mapa para ver a distância entre coordenada que apresentei anteriormente e a coordenanda seguinte: Latitude Sul 47'9 e Longitude Oeste 123'43. Parece perto? Pois bem, essa é a localização de R'Lyeh no conto "O chamado de Cthulhu", de Lovecraft. Nesse conto de 1925, um dos primeiros e mais importantes sobre os mitos de Cthulhu e Necronomicon, Lovecraft revela quem é o deus antigo e alienígena Cthulhu, bem como sua morada em uma estranha cidade submersa chamada R'Lyeh. E quem sabe como é a aparência de Cthulhu, já deve ter imaginado sobre o que me referia quando citei a possibilidade de um cefalópode...


Estará Cthulhu despertando? Será ele um deus mesopotâmico? Ou um animal desconhecido e antigo? O fato é que, em 2003, esse bloop foi novamente ouvido pelos sensores, mas desta vez, próximo ao Japão. Algo grande está se movendo no fundo do oceano pacífico, vamos torcer que nossos amigos em Tokyo não precisem enfrentar mais esse monstro gigante.

16 janeiro 2009

Lovecraft e mitos em seis palavras


Como podem notar pelo título deste post em seis palavras pretendo resumir muitas das obras de Lovecraft, seguindo o próprio exemplo do título do post que o resume nas seis palavras determinadas. A idéia surgiu de um jornal inglês de uns dois anos atrás que desafiou autores e leitores a escreverem microcontos em apenas seis palavras. Além desse concurso, importantes e famosos escritores contribuíram apra a brincadeira, incluindo Alan Moore, que além dos maravilhosos quadrinhos que escreve, produziu preciosíssimos contos com seis palavras. Aliás, dentre as inúmeras referências a obra de Lovecraft que encontramos na cultura popular, muitas delas estão em Alan Moore.

De qualquer forma, segue abaixo microcontos inspirados nos contos e noveletas de Lovecraft. A idéia é simples e idêntica a outra, usando apenas seis palavras, o que inclui artigos, preposições e conjunções, contar uma história, de preferência boa. Um divertido desafio para qualquer escritor, talentoso ou não. No meu caso, me propus a recontar toda a complexidade dos mitos de Cthulhu nas variadas formas que Lovecraft usou-o. Tentem aproveitar, minha esposa é muito melhor nisso do que eu:

"Descobrira o segredo da família: monstros".

"Inominável e indizível, fora do tempo".

"Descobrira o segredo da família: bruxaria".

"Invocou. Não viu. Veio a loucura".

"Descobrira o segredo da família: Necronomicon!".

"Invocaram. Não viu. Veio a loucura".

"Descobrira o segredo da família: incesto".

"Um caótico assombro rastejante: sua esposa".

"Descobrira o segredo da família: canibalismo".

"O reanimador abriu a porta. Zumbis!".

"Descobriu um segredo de família: peixes".

"Alguém levantou da tumba. Fugiu. Enlouqueceu".

"Imigrantes negros e asiáticos. Cultuavam Cthulhu".

"Em Arkhan. Necronomicon desaparecido. Yog-sothoth voltaria".

"Em Dunwich. Vacas mortas. Yog-sothoth voltou".

"Antártica: 'os antigos! Os antigos!'. Enlouqueceu".

"Amnésia? Não, foram alienígenas do passado".

"Fez o experimento. Outras dimensões. Enlouqueceu".

"Randolph Carter se foi. Voltou? Enlouqueceu".

"Investigou uma casa. Bruxaria. Segredo familiar".

"Investigou uma casa. Bruxaria. Ratos falantes".

"A casa ruiu. Ratos nas paredes".

"Descobrira o segredo da família: imortalidade".

"O alquimista morreu, voltou e enlouqueceu".

"A cor caiu. Cinzas. Inclusive eu".

"Randolph Carter se foi. Voltou alienígena".

"Sonhou. Teve medo. Tornou sonhar. Enlouqueceu".

"No fundo, ritos infernais. Estava sozinho".

"Nas profundezas, cidades esquecidas. Estava cercado".

"Uma torre ciclópica de ângulos impossíveis".

"Desenterrou cemitérios. O sabujo logo atrás".

"Necronomicon sobre a mesa. Leu. Enlouqueceu".
"Descobrira o segredo da família. Enlouqueceu".
Bem, por enquanto é só. Espero contribuir com mais algumas no futuro, mas acho que o que temos por aqui pode incentivá-los a produzir seus próprios contos, sobre Lovecraft ou não. Afinal,:
"Escreveu. Guardou até que morresesse, louco".

28 novembro 2008

O chamado de Dagão



"Call of Cthulhu" não só é o nome de um popular e maravilhoso RPG, como também o do conto mais famoso de Lovecraft. Aqui, pela primeira vez conhecemos o famoso grande deus antigo Cthulhu (tão importante em sua obra), como começamos a ver uma sistematização dos mitos que o envolvem. E Cthulhu não poderia ser descrito de outra forma além de uma gelatina de limão na forma de um gigante barrigudo, com cabeça de polvo, pata de vaca, asas de morcego e alguma coisa de elefante. Parece absurdo? Então, olhe a figura ao lado e leia o resto deste post. Tem muitos mais absurdos.




O primeiro deles, para os incautos, é que Cthulhu não é exatamente uma criação de Lovecraft (assim como alguns outros elementos de suas obras). Cthulhu, algumas vezes, pode ser identificado como Oannes ou Uan ou Adapa ou Abgallu, um deus fenício-babilônico metade homem e metade peixe enviado pelo Criador com o propósito de civilizar a humanidade. Mas, além dessa espécie de tritão, Cthulhu costuma (e deve) ser identificado com Dagon (ou Dagão, no nosso idioma). Dagão é um divindade semítica da agricultura e da pesca, adorado principalmente pelos filisteus em um templo na cidade de Ashdod. Como punição por idolatrar a imagem de dito demônio, Deus (aquele dos cristãos, sabe?) destruiu as pedras do lugar e mandou uma ifnestação de ratos e hemorróidas assolar a população.



Esta história sobre Dagão pode ser encontrada na "Bíblia Sagrada", nas passagens: Juízes 16:23, Samuel I 5: 2-7 e Crônicas I 10:10. Lá sabemos como Dagão enfrentou Sansão. Mas, essa não é a única passagem literária na vida desse deus que é ao mesmo tempo cria, servo e o próprio Cthulhu. Ele aparece brevemente como uma versão dos mitos medievais sobre o kraken em obras de lord Dunansy e do galês (adorado por Lovecraft) Arthur Machen, como uma espécie de Asmodai (deus da magia cerimonial) conhecido na obra como acqua hominis. Porém, as melhores referências sobre Dagão estão em Lovecraft mesmo. Nas contos "Dagon" e "Sombra sobre Innsmouth".



No primeiro deles, que leva o nome da divindade, somos confrontados com um sobrevivente de guerra que chega a uma ilha espanhola e literalmente dá de cara como um deus monstro saído do mar. Na outra (em formato de noveleta foi o primeiro e único livro de Lovecraft publicado em vida, sem contar os contos em revistas de ficção científica e horror, apesar do desagrado do autor com o ritmo dessa história) conhecemos um personagem que visita a estranha e assombrosa cidade de Innsmouth, que parece guardar um segredo sombrio em seu passado e em seus habitantes metal e fisicamente deformados. A história de suspense segue para um ritmo de pânico e medo quando é descoberta uma igreja chamada 'Ordem Esotérica de Dagon' (esse religião de fato passou a existir no final dos anos 60 e hoje possui templos e sacerdotes na América do Norte e em alguns outros pontos pelo globo). O clímax revelador e supreendente torna esse conto uma obra prima, que mais tarde foi transformado em filme pelo especialista em Lovecraft, Stuart Gordon ("Dagon, 2004").


Para quem quiser trocar sua pele por escamas, suas traquéias por guelras, seus membros por nadadeiras ou suas pálpebras e espaço entre os dedos por membranas, rezem para o pai Dagon e a mãe Hydra (aquela serpente grega, que dispensa mais apresentações, certo?). E torçam para que o todo poderoso Cthulhu atenda suas preces, tornando-o em um de seus Deep Ones (como são chamados os "seres das profundezas" que rezam na Esoteric Order of Dagon, E.O.D.). Dúvida que dê certo? Aguardem meu post sobre o "Necronomicon" ou tentem vocês mesmos em casa.

24 novembro 2008

Uma sugestão de ordem de leituras



Em, 2002 eu fundei um grupo no Yahoo! Chama-se "Culto Lovecraftiano" e era voltado para as obras do escritor Howard Phillip Lovecraft (1890 - 1937, Providence, Rhode Island), ou mais conhecido como H. P. Lovecraft. Lovecraft foi um escritor de terror que praticamente redefiniu o gênero ao adcionar elemntos nunca antes vistos. Assim surgia o horror cósmico (cujos filhos deste são August Derleth, Stephen King e outros). Mas, o que é horror cósmico? Pense em dosagens de raças alienígenas, civilizações antigas e deuses imensos e cruéis habitando nossos oceanos... Parece loucura? Parece que não nos resta chance? Para maiores informações, dou abaixo uma sugestão de ordem de leitura dos trabalhos do Lovecraft.


Como surgiu essa lista? Sabemos que Lovecraft escreveu quase duzentas obras entre poesias, ensaios e contos. Muitos desses contos foram (em especial os da juventude) foram destruídos com fogo e outros foram esquecidos. Dos 110 que restaram, apenas 72 foram traduzidos para o português (embora muitos estejam em edições esgotadas). por essa razão, elaborei a seguinte sugestão de ordem de leitura. Ela não segue uma ordem necessariamente cronológica (interna ou externa), embora eu esbarre nela, algumas vezes. Os contos de Lovecraft podem ser lidos de forma independentes, embora alguns personagens, coisas, lugares e eventos sejam citados em outros contos.


Assim sendo, tentei listar os contos que ainda podem ser encontrados e os coloquei numa ordem que aos poucos façam com que o leitor vá se aprofundando nos ciclos e complexidades do universo de Lovecraft, conforme procuro explicar ao longo da listagem. Na frente de cada conto há uma sigla indicando a qual livro pertence (conferir na legenda, abaixo) e a qual ciclo. Todas essas edições foram publicadas pela editora Illuminuras.


*Legenda - K - À procura de Kadath
S - A maldição de Sarnath
ML - Nas montanhas da loucura
RH - O horror em red Hook
CC - A cor que caiu do céu
D - Dagon


1- Ciclo dos Mitos de Cthulhu
2- Ciclo das Terras dos Sonhos
3- Ciclo de Ficção Científica
4- Ciclo de Terror


*


Uma vez que Lovecraft se identificava com um de seus personagens (Randolph Carter, o único protagonista recorrente), uma boa pedida é ir acompanhando como esse personagem entra aos poucos na loucura do horror cósmico, nos contos:
"O depoimento de Randolph Carter" (ML, 1)
"O inominável" (D, 1)
"À procura de Kadath" (K, 1&2)
"A chave de prata" (K, 2)
"Através dos portais da chave de prata" (K, 2)
A leitura do conto "Procura de Kadath" pode deixar o leitor confuso, já que além da transição dos Mitos de Cthulhu para as Terras dos Sonhos, há uma infindável referência de criaturas, lugares, histórias e pessoas das Terras dos Sonhos. Portanto, recomendo que a leitura prossiga mergulhando nas referências encontradas no conto:
"Celephais" (K, 2)
"Os outros deuses" (S, 2)
"Os gatos de Ulthar" (S, 2)
"Nyarlathotep" (S, 2)
"A procura de Iranon" (S, 2)
"A maldição de Sarnath" (S, 2)
Conhecendo uma quantidade boa sobre a Terra dos Sonhos, e entrando em contato com os deuses antigos, talvez seja hora de conhecer mais sobre os mitos de Cthulhu. Para isso, a melhor forma é pelas poucas, boas e longas novelas de Lovecraft, que explicam bem detalhadamente sobre a relação e história desses deuses e tomos proibidos:
"A sombra sobre Innsmouth" (D, 1)
"O horror de Dunwich" (CC, 1)
"Nas montanhas da loucura" (ML, 1)
Depois disso, sugiro cair de cabeça nos contos, que são mais fáceis de ler e exigem menos conhecimento prévio do que os que você teram. São eles:
"O chamado de Cthulhu" (RH, 1)
"A cidade sem nome" (S, 1)
"O assombro das trevas" (RH, 1)
"A coisa na soleira da porta" (RH, 1)
"Os sonhos na casa das bruxas" (ML, 4)
"A gravura na casa" (RH, 4)
"O horror em Red Hook" (RH, 1)
"O rastejante caos" (S, 1)
"O festival" (S, 1)
E continue com outros contos de terror, levemente relacionados aos mitos de Cthulhu. Como:
"O modelo de Pickman" (RH, 4)
"A tumba" (S, 4)
"Além da barreira do sono" (S, 3)
"Do além" (S, 3)
"O sabujo" (RH, 4)
"Herbert West - Reanimador" (RH, 4)
"Arthur Jermyn" (D, 4)
"Os ratos nas paredes" (CC, 4)
"A cor que caiu do céu" (CC, 3)
Acredito, que depois de ler "A cor que caiu do céu" você desejará conhecer mais obras de ficção científica de Lovecraft. Então, é a hora de seguir para os contos:
"A sombra fora do tempo" (CC, 3)
"Nas muralhas de Eryx" (S, 3)
A partir disso, procure os seguintes contos, em qualquer ordem:
"O que vem com a lua" (S, 4)
"Hypnos" (S, 2)
"Encerrado com os faraós" (S, 4)
"A casa abandonada" (ML, 4)
"A nau branca" (K, 2)
"A estranha casa entre as brumas" (K, 2)
"Ar frio" (RH, 4)
"Ele" (CC, 4)
"O alquimista" (CC, 4)
"A fera na caverna" (CC, 4)
"A rua" (CC, 4)
"O ministro maligno" (CC, 4)
"Dagon" (D, 1)
Acredito que depois de tudo isso, vocês já terão conhecimento mais do que o suficiente para decidir o que ler, o que reler e o que não ler. Divirtam-se. Quase tudo o que realmente importa está nesta lista.