08 julho 2009

Antologia de contos sobre o fim do mundo.

Finalmente, abro espaço para um novo marcador de tópicos discutidos nesse blog: "eu escritor". E, por se tratar de mim mesmo (afinal, como alguém poderia escrever algo que não fosse si mesmo?) e por se tratar de escrita (algo que desenvolvo aqui e algo sobre o qual desenvolvo aqui, também), peço que tenham paciência e se preparem para um texto longo e dramático, como só um texto biográfico poderia ser. Vejam só, até dei uma organizada no layout deste texto para amenizar a pieguice.

Pois bem, eu me lembro do meu último dia de aula no Jardim III (aquele ano escolar que antecedia a primeira série, e que ninguém sabia o que significava ou para que servia). Eu estava extasiante. A partir de então, eu poderia ler qualquer coisa que surgisse na minha frente. Eu já sabia todas as letras, até o o famoso "z". E foi então, como mágica, voltando para casa e pensando no video-game do Mario que iria jogar durante todas as férias antes de dar mais uma passo na minha educação, que meu primeiro grande desejo de vida surgiu: "quero ser um escritor".

E assim foi, quando crescesse, eu gostaria de ser um escritor. Essa deveria ser minha profissão, pois parecia a melhor do mundo (e ainda parece). Mas, esse foi apenas um dos desejos. O outro surgiria em decorrência da leitura. Naquele dezembro de 1989, lendo o "Manual do escoteiro mirim", descobri sobre os castelos e paisagens da Escócia. Nasceu ali o meu segundo grande desejo de vida: "Quero passar um tempo em outro país". Imediatamente, o terceiro e último grande desejo de vida acompanhou a lista: "Quero me casar com o verdadeiro amor para poder passar um tempo em outro país".
O tempo passou, obviamente. Orgulhosamente comprei e li meu primeiro livro ("Menino maluquinho", do Ziraldo) e comecei a escrever minhas primeiras histórias. Todas precariamente ilustradas e sempre sobre personagens de video-game, desenhos animados e contos que lia, afinal, eu tinha entre 7 e 9 anos. Foi só com 10 anos, que escrevi minha primeira história de verdade, como digo. Chamava-se algo como "O dia final do soldado eterno no campo universal" (um título quase do tamanho da história e que ambicionava mostrar algum conteúdo filosófico initeligível). Enfim, tratava-se de um conto sobre um militar aposentado morrendo de câncer devido a radiação da última guerra em que participou. O conto narrava os eventos finais de sua vida, quando este levava sua família para visitar o campo onde se travou a tal batalha, para que ele anunciasse o seu derradeiro e iminente fim.
Minha professora de ciências levou o texto para casa, leu, chocou-se e, no dia seguinte, me devolveu dizendo que não deveria me preocupar em escrever. Principalmente histórias com aquele conteúdo. Ela achava que uma criança feliz deveria brincar. (Curioso como na quinta série minha professora de português, que me odiava, dizia que ela nunca viveria para trabalhar um livro meu com os alunos dela; curioso, também, como no primeiro colegial a psicóloga da escola afirmou que meu problema era que eu lia demais e isso nunca me ajudaria).
Durante aquele resto de ano, não mais escrevi. Só retomei a escrita aos 11 anos, depois de uma série de eventos na minha vida e quando comecei a ler livros de vedade (como sempre digo). Influenciado pelo "Mundo de Sofia", escrevi "Cartas para um palhaço" (que considero minha primeira história séria e bem feita, muito embora hoje eu a ache terrível, simplista e vergonhosa). Depois disso, conheci Edgar Allan Poe e toda a minha vida mudou. Entendi que de fato eu poderia escrever algumas coisas que vinham na cabeça e poderia fazê-las bem feitas. ("Frankenstein", de Mary Shelley, também surtiria um efeito parecido, porém mais amplo, no ano seguinte).
Assim, escrevi contos policiais, contos de horror, contos de mistério, contos de morte e mais contos filosóficos até meus 15 anos, sempre pretendendo um dia publicar meu próprio livro de contos. Mas, algo aconteceu... Com 15 anos, li um livro do qual ouvira falar e ficara curioso desde os 14: "O senhor dos anéis", de J. R. R. Tolkien. Jogador de RPG desde os 11 anos (outra forma de contar histórias, diga-se de passagem), não podia deixar de ler sobre elfos e dragões. Naquele dia primeiro de abril em que comecei a ler, um pensamento me sobreveio: "posso, então, escrever sobre mitos e folclores".

Começaria a escrever minha primeira história longa, casualmente. Chamava-se "A lenda do elfo" e era divido em oito partes, cada uma contendo 15 contos em sequência, todos descrevendo um memsmo personagem. A idéia surgiu sem querer. Primeiro veio um conto, e, de repente, eu tinha escrito um outro conto onde aquele personagem aparecia. Percebi que podia contar toda a sua vida e fui escrevendo tudo fora de ordem para depois organizar linearmente (um procedimento parecido com o que Robert E. Howard fez com Conan). Mas "A lenda do elfo" mudou de nome, mudou de proposta e nunca foi para frente, nem deve ir. O melhor momento que a série teve foi uma longa e bela campanha de RPG!

Ciente de que poderia escrever fantasia, mas não desejava escrever fantasia, era hora de abrir meus olhos para novas letras. Conheci a literatura fantástica de Jorge Luis Borges e de Neil Gaiman. Era aquilo que queria escrever. E foi escevi desde então, embora o período da faculdade de psicologia tenha tido hiatos significativos na minha produção amadora.

E, mais uma vez, como sempre, o tempo passou. Ainda não era um escritor profissional e por tolice e medo, recusei possibilidades de publicar. Mas, então, eu já estava casado. Meu primeiro grande desejo muito bem realizado. E, logo em seguida, graças a minha verdadeiramente amada esposa, eu estava de viagem para o Japão, só a passeio, durante um mês. Um lugar em que eu nunca pensara em visitar e que mostrou o melhor lugar que o mundo poderia conceber (embora me falte conhecer todo o resto do mundo). Outro grande desejo da minha vida estava muito bem realizado. E assim como meus desejos nasceram juntos e entrelaçados, eles iriam se realizar juntos e entrelaçados.

No avião, sozinho, num vôo entre Tokyo e Izumo, vislumbrei o imenso e imponente monte Fuji. Pensei e anotei, ali mesmo, no meu diário: "O que aconeceria se a mulher, cujo corpo é o próprio monte Fuji, um dia resolvesse e se levantar e ir embora?". Até hoje não sei a resposta para essa pergunta e nem para tantas outras que surgiram durante a viagem. Mas, como toda boa pergunta, ela nunca saiu da minha memória. Pelo contrário, despertou várias outras perguntas.

Por exemplo: uma bela tarde, depois de trabalhar o dia todo para ganhar pouco e mal conseguir sustentar minha nova família de esposa e gatas, eu caminhava. Caminhava vendo um pôr do sol laranja e a mais movimentada avenida da minha cidade com centenas de carros e pedestres se expremendo violentamente. Não sei qual era o ruído que a cena produzia pois meu mp3-player estava em meus ouvidos. Tocava a música "Sæglópur" do Sigur Rós, do álbum de 2005 "Takk...". Quando o "Takk..." saiu, minha esposa ainda era minha namorada, e ela estava no Japão, de onde me trouxe minha cópia do tal álbum. Ouvindo a música fiquei me pensando em como nos matávamos para trabalhar e não aproveitávamos anda, em como a vida se tornaria selvagemente louca e todas essas outras crises existênciais típicas. Eu via o pôr do sol e me perguntava como ninguém aprava o que estava fazendo só para agradecer e louvar o sol. Mas, logo em seguida, a música acabou e deu início a "Hoppíppolla", também do Sigur Rós e também do "Takk...". O piano suave e alegre iniciava a melodia eos arranjos de corda. Foi com essa música que me casei. E me casei dentro de um ritual pagão, como não podia deixar de ser. E me casei a beira do Rio Grande, no pequeno vilarejo de Peixoto, onde moram apenas trabalhadores da usina hidroelétrica da região. Lá que passei minha lua de mel. Lá mora um lugar do meu coração desde que conheci. As montanhas, as águas, a paz, o vazio...




Com lágrimas nos olhos, surgiu uma nova pergunta: "o que aconteceria se o Rio Grande se levantasse e fosse embora sem avisar nada e nem ninguém?". Voltei para casa correndo, larguei as compras sobre a mesa, liguei meu computador e respondia essa pergunta. Até hoje, julgo ter sido o melhor conto que escrevi (e, inegavelmente, inspiradíssimo no realismo mágico e nof ormato dos diálogos escritos pelo meu maior influenciador desde o ano passado: José Saramago).

O conto chama-se "Na manhã seguinte" e é o conto que encerra a antologia "Dias contados", lançada pela Editora Andross no dia primeiro de agosto desse mesmo ano, na Biblioteca Temática Virato Corrêa, em São Paulo, a partir das 15 horas. O livro conta com 50 contos, sendo dois meus, um argentino (maravilhoso, diga-se de passagem) e um da escritora fantástica e revisora Helena Gomes (que eliminou todas as minhas características de Saramago para manter o padrão da editora). O livro é editado pelo quadrinista Edson Rossato e é organizado pelo administrador e escritor Danny Marks (cujo primeiro livro, "Universo subterrâneo", sai dia 7 de agosto, em Santos, mas minha cópia dos contos, autografáda, já está a caminho) e pelo crítico de cinema e escritor Ricardo Delfim.

Meu conto, "Na manhã seguinte", foi editado e revisado por Danny Marks (um bom amigo bruxo, hoje em dia). A edição foi feita de forma bem respeitosa, com discussões, sugestões e questionamentos dos lados, mantendo minhas palavras, minhas idéias, mas um pouco da visão mais ampla do Danny, afinal, ele era um dos organizadores. o outro conto, "Sete minutos", está na página 43 do livro. E, por opção minha (e sugestão do Danny), foi editado e revisado pelo Ricardo. Como já tinha um conto aprovado no livro, a ansiedade e pressão sobre mim era menor para que se aprovasse outro conto (embora, obviamente, queria muito sentir, de novo, o coração disparar, as mãos e a voz tremerem, os olhos marejarem e a boca se abrir apenas para inspirar e expirar o momento de ler "seu conto foi aprovado, parabéns"). O trabalho com o Ricardo, portanto, não contaria com nenhum proteção e foif eito de forma bem interessante, uma experiência rica para mim, trabalhar com outro editor/revisor. Nós trabalhamos de forma mais incisiva e prática, por assim dizer, com sugestões mais pontuais e drásticas do Ricardo, o que levou a um resultado final bem interessante.

Então, leitores, leitoras, amigos, amigas, familiares e, especialmente, minha amada, sai agora minha primeira publicação oficial e reconhecida. Não é só minha, mas já é um primeiro passo, não é uma editora de nome grande e pesado, mas é uma editora séria que busca lançar novos autores. Meu último grande desejo de vida se realiza. Agora eu posso morrer? Claro que não. Quero continuar casado, quero viajar mais e quero publicar mais e mais.

Mas, quer saber como surgiu o outro conto, "Sete minutos"? Bem, foi com um pergunta. Eu estava feliz e incrédulo de que um conto fora aprovado apra ser impresso em papel e distribuído pelo país. Era uma quinta-feira. Eu estava jantando com miha esposa e nossa situação financeira e profissional já estavam bem melhores (até começávamos a pensar em um dia visitar a Islândia, outro daqueles lugares perfeitos). ela falava sobre como o trabalho dela, na Secretaria da Saúde, era apocalíptico: epidemias, catástrofes naturais, violência. Ela disse que não estranharia nem um pouco se o celular dela tocasse naquele instante, anunciando uma invasão alienígena ou um ataque zumbi. Foi quando me veio a pergunta: "será que a prefeitura tem algum departamento público de segurança no apocalipse?". No sábado, acendi um cigarro, e respondi essa pergunta.

25 junho 2009

"Michael Jackson está morto."_ F. Nietzche

Cabe a nós, a partir de hoje e para todo o sempre, mostrar para as criancinhas que um dia houve um passo chamado Moonwalk, e todos tentavam imitá-lo. Para aqueles, como eu, que não sabem e não consegue dar o Moonwalk, resta a memória do Rei do Pop nos tempos em que era melhor e belo. Como na foto acima, onde ele está ao lado dos mesmos amigos com quem deve estar agora.

10 abril 2009

Foi_soh_uma_festa/?

São Paulo, uma noite de domingo. Eu deveria trabalhar no dia seguinte, mas não iria. Depois de 11 anos apaixonado, depois de 9 anos torcendo, depois de 8 anos ouvindo os boatos, a espera acabou... 35 mil pessoas, o trânsito tumultuado, pessoas com camisetas listradas e óculos, garotos barbudos e garotas descoladas. O ingresso na mão há 4 meses. Gato doente em casa e ainda assim me aventurei por aqueles asfaltos até chegar (e ainda parei em um posto de beira de estrada para dormir da perigosa exaustão).

Primeiro, os Los Hermanos voltaram. Tocaram bem e bastante. Nada demais, mas muita gente gostou. Depois, ao invés do Sigur Rós, do Mars Volta ou do Portishead, os clássicos alemães do Kraftwerk subiram aos palcos (e desceram, chamaram seus sósias robôs e depois voltaram luminosos e fluorescentes como no filme "Tron"). Uma honra vê-los, já valeria o ingresso. Mesmo que muita gente não tenha gostado, foi bem animado e muito bem produzido, especialmente o karaokê no telão.

Mas, não era para isso que estávamos lá. Embora saber da presença do Kraftwerk tenha animado muito. Eu e outros 34.999 (incluindo famosos) estávamos lá pelo mesmo motivo que 30 mil pessoas se reuniram dois dias antes no Rio de Janeiro: presenciar a guitarra e os ruídos do tímido Johnny Green Wood, sempre acompanhado do omisso irmão Colin Greenwood, e o simpático e empolgado Ed O'brian seguindo a bateria precisa e ritmada do Phill Sellway, e o esuisito Thom Yorke que só sabe. dizer "Obrigado" e "Boa noite", pela primeira vez no Brasil.

E era para ser só mais um festival, apenas uma festa, mas foi o melhor show dos últimos tempos de um das melhores bandas dos últimos tempos. Começou com "15 step" e seguiu por tantas outras de todos os diversos momentos da carreira, embora o último e novo "In rainbows" foi executado inteiramente.

Embora o Rio tenha tido "The gloaming", "Airbag", "No surprises", "I might be wrong", a fabulosa "Street spirit" (pelo menos eu também tive "There there"), "How to disappear completely" e "Just", São Paulo pôde presenciar outras raridades em setlists, como "You and whose army?", "Pyramid song", o lado b "Talk show host", a também fabulosa "Climbing up the walls", "Exit music", a popular "Fake plastic tree", "Lucky" e "Optmistic", além do fato de ter tido minutos a mais de show (ao longo das quase duas horas e meia), um gostinho de "True love waits" no início de "Evereything in tis right place" e uma música a mais no set list, a primeira e mais famigerada: "Creep", também tocada no Rio.

Ao todo foram 26 músicas muito bem tocadas e muitas vezes melhor do que na versão original de estúdio, como foi o caso de "Idioteque". As luzes epiléticas acompanhavam a dança em flashes do vocalista e suas caretas, embora haja quem tenha dito que o telão falhou (só eu não percebi, acho). Na verdade, eu estava mais é dançando, chorando, cantando junto, prestando a atenção, fumando, beijando minha mulher e pensando em como era legal ver aqueles caras dando tudo de si para mim e todas as outras pessoas que pagaram o preço do ingresso. E quando digo dar tudo de si, digo que eles tocaram de tudo, como a incomparável "Paranoid android" para exemplo.

Depois teve o tumulto para sair, o perigo de cair em um burcao, o trânsito engarrafado e sensação de voltar para casa bem e mal. Bem por ter visto um show inesquecível. Mal por ter visto visto um show inesquecível. Antes palavras pudessem descrever tais sensações, daí, eu conseguiria escrevê-las e bastaria isso para tornar reviver a boa sensação e o show insquecível.

03 abril 2009

Dia Internacional do Livro Infantil






Ontem foi dia 2 de abril: dia do meu a niversário. Certo, parabéns, obrigado, feliz aniversário, está bem. Dia 2 de abril, também, é o dia em que se lembra a morte do Papa João Paulo II. Ele morreu em 2 de abril de2005, mesmo ano em que se comemorava o bicentenário de Hans Christian Andersen, em Copenhagem na Dinamarca. Nessa tal celebração dos duzentos anos do nascimento do maior escritor de histórias infantis de todos os tempos, foi realizada uma apresentação do ballet dinamarquês com a música "The little match girl", composta pelo Sigur Rós especialmente para a ocasião e nunca lançada em CD, EP, single ou vinil.



A tal "Little match girl" ("pequena vendedora de fósforos") a que se refere o título é um conto de Andersen no qual uma menina sai de casa na noite da véspera de Natal para vender fósforos. Ela precisava vendê-los por que sua família é pobre e seu pai (possivelmente alcoolatra) iria bater nela se ela voltasse para casa sem dinheiro. Enquanto perambula pelas ruas, sozinha, ela imagina que crianças estejam desembrulhando presentes e comendo perus assados por trás das paredes das casas. Mas o frio vai ficando mais forte e ela decide acender os palitos de fósforos e pensar na sua avó (a única pessoa que a tratava bem) para poder se aquecer na neve. O conto acaba com a menina morta e congelada.



Triste, não é? Nem parece história para criança, mas é. Na verdade, todos os contos de fadas originais continham violência, horror, sexo e tristeza. Mesmo os contos coletados por Ésopo, Perrault, Jacob e Wihelm Grimm e tantos outros. Tais contos, os contos de fadas, descendem do folclore, das histórias populares contadas oralmente de geração a geração, sempre com o intuito de passar alguma moral para as crianças e entreter os adultos. Sim, você leu direito: adultos. Os adultos também fazem parte do público alvo dos contos de fadas. Tanto que a primeira publicação dos contos de fadas dos irmãos Grimm na Inglaterra foid estinada aos adultos, mas fez tanto sucesso entre as crianças que os autores resolveram por bem amenizar um pouco os conteúdos dos contos.



E foi aí que a coisa degringolou. Os adultos, crentes de as crianças são inocentes e burras, passaram a duvidar da capacidade delas em elaborar idéias a respeito de medo, desejo e morte. As histórias passaram a ficar mais bobas e pobres até que toda a sanguinolência e cobiça da "Cinderella" se tornasse um elegante e engraçado desenho animado da Disney. Com isso, a alma do conto era perdida, bem como muito de seu conteúdo mitológico e social. Sim, pois contos de fadas descendem de mitos, também. E todo mito revela uma história verdadeira, uma reflexão simbólica da psiquê humana e um contexto cultural.



Por sorte ainda temos autores que resgataram esse teor sombrio de volta para as crianças. É só as produções infantis de Tim Burton, ou os livros de Neil Gaiman e J. K. Rowling. Não por acaso, os maiores sucessos de crítica entre os consumidores: as crianças. Também, não é por acaso que o aniversário de Andersen se tornou o dia internacional do livro infantil. Esse escritor e pesquisador, coletou contos populares de diversos povos, recontou histórias antigas e ainda inventou uma nova gama de personagens, sempre trazendo histórias tristes, violentas, sombrias e luxuriantes, com grandes toques de magia. Ele ousou e acreditou no poder das crianças de crescerem enquanto pessoas. Acreditou que as crianças fossem tanto boas quanto más, identicas aos adultos.



Mesmo que se conte que os irmãos Grimm, ao receberem a visita de Andersen se anunciando como um colega de profissão, declararam nunca terem ouvido falar dele e o levá-lo a vergonhosas lágrimas com isso, muitas dos contos de fadas mais conhecidos no mundo são de Andersen: "A sereiazinha", "O patinho feio", "O valente soldadinho de chumbo", "As roupas novas do imperador", "O rouxinol" e "A rainha do gelo", para citar alguns exemplos. Personagens como Branca-de-neve e Rosa-vermelha até circulam em algum ou outra história sua, mas o mesmo acontece no folclore ingl6es, italiano, russo, norueguês e (pasmem!) chileno.



Então, termino deixando a dica para que mais adultos leiam mais contos de fadas e permitam que as crianças leiam os verdadeiros contos de fadas. Essa é a literatura suprema, não por acaso o próprio Tolkien assumia a dificuldade e a ambição em escrever contos de fadas. Ele até chega a assumir que "O senhor dos anéis" e os capítluos "Beren e Lúthien", "Túrin Turambar" e "Chegada em Gondolin" seguiriam as premissas de pessoas comuns se envolvendo em eventos mágicos e grandiosos, que seria a premissa básica de todo conto de fada. Agora, só falta chegar ao Brasil o marivilhoso conto de fada de Tolkien chamado "Smith of Wotton Major". Até lá, leiam Andersen e tenham a mente aberta, pois a Chapeuzinho Vermelho não foi salva pelo caçador, houve quem disse que o Lobo a despiu, alevou para a cama e a comeu (literalmente) e houve quem disse que ela rasgou a barriga do Lobo, pegou o cadáver de sua avó, fez uma sopa, tomou a sopa e ficou forte o suficiente para matar o Lobo com usas próprias mãos...

27 janeiro 2009

Entre 10 e 18: teorias da conspiração e lendas urbanas


Just a fest está chegando, para mim, será dia 22 de março, um domingo com Radiohead e Kraftwerk (ah, também vai ter Vanguart, ams quem se importa? E eles ainda chamam o show de só uma festa...). Bem, para quem ainda percebeu, sou bastante fã de Radiohead, apesar de achar o Thom York uma versão mais esquisita da arrogância e chatice do Bono Vox. Mas, nem sempre foi assim. Em 1992, quando a banda tinha abandonado o nome On Fridays e passado a se chamar Radiohead (dizem alguns que é por causa de uma música do Talking heads, dizem outros que era para que seus álbuns ficassem próximos ao R.E.M.), eles lançaram seu primeiro disco: o "Pablo Honey", uma versão triste e distorcida do movimento grungee.

Seria mais um álbum qualquer de mais uma banda qualquer se a música "Creep" não fizesse o sucesso que fez. Provavelmente, uma das músicas mais deprimentes da história e uma das músicas mais tocadas naquele ano. E Radiohead iria cair no esquecimento caso "The bends" não fosse lançado em 1995 e fizesse o sucesso que fez. Radiohead passava a ser uma banda de rock com apelo pop, graças ao sucesso da igualmente deprimente "Fake plastic tree" (lembrem-se que ela é tocada naquela famosa propaganda brasileira do Carlinhos e seu amiguinho em uma campanha contra o preconceito contra os portadores da síndrome de Down).

Mas, foi em 1997 que a banda e seu vocalista alcançaram o ápice (na verdade, praticamente a cada disco eles alcançam novos ápices): "Ok computer" chegou com a promessa de revolucionar o rock e mostrar a decadência e solidão desse nosso mundo mecanizado. A promessa foi cumprida, contra as expectativas de Thom Yorke, que se recuperava de alguma psicose e passava a ser chamado de gênio. Foi aí que tudo começou. Primeiro, os comentários de que "Creep" era um plágio de "Can't stop loving you" do Hollies, depois que era plágio "Every breathe you take" do Police, depois que era plágio da...

Bem, a lista não parou, mas essa era a menor das lendas urbanas e teorias da conspiração. Afinal, muitos não sabem, mas se você abrir bem o encarte do "Ok computer" na parte das letras e chacoalhar de um lado para o outro, as letras se tornam imagens, como por exemplo: "Paranoid android" vira um tanque de guerra e por aí vai. Na verdade, quando ouvi isso, fui tentar em casa,s em esperanças. Até hoje, continuo sem saber do que as pessoas estavam falando quando diziam que isso dava certo. Mas, como já escrevi no parágrafo acim, as teorias da conspiração e lendas urbanas não param por aí.
No ano 2000, para terminar um milênio, o Radiohead lançou o controverso "Kid a". Um disco de rock onde não se houve guitarras, apenas baterias eletrônicas e barulhinhos de computador (como eu sempre digo, o primeiro sinal de que Thom York sempre seria o cara do contra). Mas, isso não quer dizer nada, pois dizem por aí, que se você tiver dois cdplayers e dois "Kid a", você fazer o seguinte experimento e descobrir um disco novo, o disco que o radiohead realmente queria ter lançado: coloque o seu "Kid a" no seu cd player e dê play, quando a primeira faixa faixa, "Everything in its right place" estiver com 18 segundos rodados e o teclado e a voz de Thom Yorke gemendo nos alto-falantes, dê play no outro cdplayer que contém o "Kid a" do seu amigo. Pronto, está feito! Você estará ouvindo o "Kid 18", um álbum onde as músicas correm simultaneamente, mas com um sincornia atrasada em 18 segundos... Não é incrível?

Na verdade, não. Não há nada fantástico nessa audição, com exceção talvez da harpa em "Motion picture soundtrack" e da bateria em "Idioteque", ainda assim, você só consegue entender alguma lógica se você estiver realmente procurando por ela, por que do contrário, é só a invenção de alguém babca que utilizou a medida de 18 segundos aleatoriamente (na verdade, existem algumas explicações musicais para esse valor, mas existem versões dessa explicação que chegam até a apontar um música do Sigur Rós como referência, tentem descobrir qual, hehehe).

Certo, se as primeiras teorias estavam erradas, então o que dizer do "In rainbows"? O último disco do Radiohead ficou famoso no mundo todo pelo simples fato de que ele foi lançado em outubro de 2007, em um site criado especialmente para isso. Como a banda havia terminado o contrato com a gravadora Parlophone (o que geraria vários conflitos para mostrar que Thom Yorke sempre seria o cara do contra), "In rainbows" foi o primeiro álbum de uma grande banda, a ser lançado gratuitamente para download. Gratuitamente não, você pagava por ele. Pagava o quanto quisesse. Sim, isso mesmo, ente zero centávos até trocentos zilhões de dólares. Não se sabe ao certo qual foi o resultado da experiência, mas o Radiohead ganhou muito dinheiro assim, antes de lançar o álbum fisicamente nas lojas sob o selo de uma distribuidora estadosunidense.

Hummm.... não há algo de suspeito aí? Vejá só: qual o álbum de maior sucesso do Radiohead? "Ok computer", você diz e está certo. Esse nome não tem alguma semelhança com a forma como "In rainbows" foi lançado? Calma, não responda ainda, pense nas cores e fracções matriciais de um computador, também. Então, temos computadores e arco-íris, certo? Parece pouca a semelhança? Mas, então, que tal se fizermos uma conta simples? "In rainbows" saiu em 2007, "Ok computer" saiu em 1997, 2007 menos 1997, será igual a 10, 10 é formado por 1 e 0, ou seja, a lingugaem binária, o código pelos quais os computadores se comunicam em seu âmbito mais básico. Binário, ou seja, dois valores, como a quantidade de palavras que compõe os nomes dos albuns "Ok computer" e "In rainbows". Entendeu, agora?

Pois é, eu também não. Assim como não consegui entender quando matemáticos tentaram provar que o título da música "2+2=5" do Radiohead fazia sentido (conforme postei em outro ensaio), também não consigo entender como alguém 9provavlemnte muito desocupado), acha e desdobra essas teorias. Não entendeu ainda? É bem simples: "In rainbows" é uma continuação e/ou uma referência ao "Ok computer". Será que é o por quê os dois discos começam com vogais? Não, é por que se você ignorar a faixa "Happier filter" do "Ok computer" e colocar as músicas dos discos em sequência (por exemplo: "Airbag", "15 feets", "Paranoid android", "Bodysnatchers", etc...), você ouvirá, mais uma vez, o álbum que o Radiohead quis lançar, na verdade.

Ora, na verdade, o que você vai ouvir é uma sequência alternada de várias músicas boas, de dois álbuns bons de uma banda boa. Só. Não existe ligação entre as músicas e suas letras, nem nas referências a ficção cinetífica que o Radiohead costuma fazer. Sabe, às vezes acho incrível que ninguém ainda tenha dito nada sobre o fato de "Amnesiac", a sobre de estúdio do "Kid a", ter sido lançada três meses e três dias antes dos famosos ataques terroristas de 11 de setembro e trazer na primeira página do seu encarte, uma foto do World Trade Center e o título do filme "The decline and fall of roman empire".

18 janeiro 2009

Filus Aquarti, Bloop e R'lyeh


"Quando as estrelas se alinharem, os Grande Antigos despertaram de seu sono eterno e retornarão para tomar a Terra e os homens em horror, caos e loucura", ou alguma coisa deve dizer a profecia que permeeia qualquer conto de Lovecraft

sobre os, assim chamados, mitos de Cthulhu. Como se vê, cultistas de religiões antigas e hereges visam trazer essas poderosas criaturas ao mundo com rituais encontrados no Necronomicon (ainda não me esqueci que devo um post sobre o livro) ou portais dimensionais para a terra dos sonhos.


Mas, e se o nosso tempo for tempo certo? E se o retorno de Cthulhu, Hastur e todos os outros for agora? Lembrem-se que nos post "o chamado de Dagon", eu mostrava como Cthulhu, na verdade, fazia referência a uma série de deuses, entre eles o Filus Aquarti, que esqueci de mencionar, mas que, menciono agora, diz respeito a um personagem literário de Arthur Machen, famoso escritor galês de terror e uma das fontes de inspiração para Lovecraft. Seu Filus Aquarti veio de seu conhecimento sobre a Golden Dawn, uma ordeme sotérica e um caminho mágico muito popular do qual Sonia Green, ex-esposa de Lovecraft, também fazia parte (certo, a parte sobre Sonia Green é um boato, apenas).


Contudo, não podemos nos esquecer da universalidade do mito de homens-peixe, ou seres inteligentes e humanóides que habitam as águas do mundo todo, como as sereias, ondinas, yaras e o clero medieval (de acordo com algumas gravuras da época). Tais homens-peixes, assim como a serpetne Leviatã da "Biblia Sagrada", surgem nos mitos de Cthulhu e na obra de Lovecraft como os seres das profundezas (e seus híbridos com humanos) e o pai Dagon e mãe Hydra, respectivamente.


Teorias da conspiração apontam que Lovecraft sabia sobre algo (coisa que pretendo refutar no meu já prometido futuro post sobre Necronmicon). Mas, coincidência ou não, em 1997, no oceânico pacífico, razoavelmente próximo ao Chile, mais precisamente nas aproximadas coordenadas Latitude Sul 50' e Longitude Oeste 100', a N.O.A.A. (uma instituição internacional que monitora as águas desde os tempos da Guerra Fria, como forma de previsão de ataques russos ou estadosunidenses) captou um ruído que eles chamam de "bloop". Bloops são uma espécie de ronco ou rangido, sem identificação.


Acontece que esse bloop, o maior já registrado, durou mais de um minuto e parece ser de origem animal. Seu volume é elevado e não se assemelha a nenhum outro ruído pelos animais marinhos já encontrados. Há quem diga que se trate de uma baleia maior que a baleia azul, mas nenhum mamífero cetáceo viveria na profundidade dos 5000 metros de onde se originou o bloop. Outros apontam que se trate de um cefalópode pré-histórico ainda desconhecido.


O que há de curioso nisso? Procurem em um mapa para ver a distância entre coordenada que apresentei anteriormente e a coordenanda seguinte: Latitude Sul 47'9 e Longitude Oeste 123'43. Parece perto? Pois bem, essa é a localização de R'Lyeh no conto "O chamado de Cthulhu", de Lovecraft. Nesse conto de 1925, um dos primeiros e mais importantes sobre os mitos de Cthulhu e Necronomicon, Lovecraft revela quem é o deus antigo e alienígena Cthulhu, bem como sua morada em uma estranha cidade submersa chamada R'Lyeh. E quem sabe como é a aparência de Cthulhu, já deve ter imaginado sobre o que me referia quando citei a possibilidade de um cefalópode...


Estará Cthulhu despertando? Será ele um deus mesopotâmico? Ou um animal desconhecido e antigo? O fato é que, em 2003, esse bloop foi novamente ouvido pelos sensores, mas desta vez, próximo ao Japão. Algo grande está se movendo no fundo do oceano pacífico, vamos torcer que nossos amigos em Tokyo não precisem enfrentar mais esse monstro gigante.

16 janeiro 2009

Lovecraft e mitos em seis palavras


Como podem notar pelo título deste post em seis palavras pretendo resumir muitas das obras de Lovecraft, seguindo o próprio exemplo do título do post que o resume nas seis palavras determinadas. A idéia surgiu de um jornal inglês de uns dois anos atrás que desafiou autores e leitores a escreverem microcontos em apenas seis palavras. Além desse concurso, importantes e famosos escritores contribuíram apra a brincadeira, incluindo Alan Moore, que além dos maravilhosos quadrinhos que escreve, produziu preciosíssimos contos com seis palavras. Aliás, dentre as inúmeras referências a obra de Lovecraft que encontramos na cultura popular, muitas delas estão em Alan Moore.

De qualquer forma, segue abaixo microcontos inspirados nos contos e noveletas de Lovecraft. A idéia é simples e idêntica a outra, usando apenas seis palavras, o que inclui artigos, preposições e conjunções, contar uma história, de preferência boa. Um divertido desafio para qualquer escritor, talentoso ou não. No meu caso, me propus a recontar toda a complexidade dos mitos de Cthulhu nas variadas formas que Lovecraft usou-o. Tentem aproveitar, minha esposa é muito melhor nisso do que eu:

"Descobrira o segredo da família: monstros".

"Inominável e indizível, fora do tempo".

"Descobrira o segredo da família: bruxaria".

"Invocou. Não viu. Veio a loucura".

"Descobrira o segredo da família: Necronomicon!".

"Invocaram. Não viu. Veio a loucura".

"Descobrira o segredo da família: incesto".

"Um caótico assombro rastejante: sua esposa".

"Descobrira o segredo da família: canibalismo".

"O reanimador abriu a porta. Zumbis!".

"Descobriu um segredo de família: peixes".

"Alguém levantou da tumba. Fugiu. Enlouqueceu".

"Imigrantes negros e asiáticos. Cultuavam Cthulhu".

"Em Arkhan. Necronomicon desaparecido. Yog-sothoth voltaria".

"Em Dunwich. Vacas mortas. Yog-sothoth voltou".

"Antártica: 'os antigos! Os antigos!'. Enlouqueceu".

"Amnésia? Não, foram alienígenas do passado".

"Fez o experimento. Outras dimensões. Enlouqueceu".

"Randolph Carter se foi. Voltou? Enlouqueceu".

"Investigou uma casa. Bruxaria. Segredo familiar".

"Investigou uma casa. Bruxaria. Ratos falantes".

"A casa ruiu. Ratos nas paredes".

"Descobrira o segredo da família: imortalidade".

"O alquimista morreu, voltou e enlouqueceu".

"A cor caiu. Cinzas. Inclusive eu".

"Randolph Carter se foi. Voltou alienígena".

"Sonhou. Teve medo. Tornou sonhar. Enlouqueceu".

"No fundo, ritos infernais. Estava sozinho".

"Nas profundezas, cidades esquecidas. Estava cercado".

"Uma torre ciclópica de ângulos impossíveis".

"Desenterrou cemitérios. O sabujo logo atrás".

"Necronomicon sobre a mesa. Leu. Enlouqueceu".
"Descobrira o segredo da família. Enlouqueceu".
Bem, por enquanto é só. Espero contribuir com mais algumas no futuro, mas acho que o que temos por aqui pode incentivá-los a produzir seus próprios contos, sobre Lovecraft ou não. Afinal,:
"Escreveu. Guardou até que morresesse, louco".